- Modernismo
Tendência vanguardista
que rompe com padrões rígidos e caminha para uma
criação mais livre, surgida internacionalmente
nas artes plásticas e na literatura a partir do final
do século XIX e início do século XX. É
uma reação às escolas artísticas
do passado. Como resultado desenvolvem-se novos movimentos,
entre eles o expressionismo, o cubismo, o dadá, o surrealismo
e o futurismo.
No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela
Semana de Arte Moderna de 1922.
Defendem a assimilação
das tendências estéticas internacionais para mesclá-las
com a cultura nacional, originando uma arte vinculada à
realidade brasileira.
A partir da Semana de 22 surgem vários grupos e movimentos,
radicalizando ou opondo-se a seus princípios básicos.
O escritor Oswald de Andrade e a artista plástica Tarsila
do Amaral lançam em 1925 o Manifesto da Poesia Pau-Brasil,
que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas características
do povo brasileiro, com absorção crítica
da modernidade européia.
O principal veículo das
idéias modernistas é a revista Klaxon, lançada
em maio de 1922.
Artes plásticas –Uma das primeiras exposições
de arte moderna no Brasil é realizada em 1913 pelo pintor
de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as reações
são amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro.
Em 1917, Anita Malfatti realiza a que é considerada de
fato a primeira mostra de arte moderna brasileira. Apresenta
telas influenciadas pelo cubismo, expressionismo, fauvismo e
futurismo que causam escândalo, entre elas A Mulher de
Cabelos Verdes.
Sua pintura é baseada
em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas tropicais
são estilizadas geometricamente, numa certa relação
com o cubismo. Um exemplo é Mamoeiro.
Di Cavalcanti retrata a população brasileira,
sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla influências
realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças
de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a
representar o homem do povo é Candido Portinari, que
recebe influência do expressionismo. Entre os muitos exemplos
estão as telas Café e Os Retirantes.
Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John
Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego
Monteiro (1899-1970).
O principal escultor modernista
é Vitor Brecheret. Suas obras são geometrizadas,
têm formas sintéticas e poucos detalhes.
Na gravura, o modernismo brasileiro
possui dois expoentes. Um deles é Osvaldo Goeldi (1895-1961).
Identificado com o expressionismo, cria obras em que retrata
a alienação e a solidão do homem moderno.
O modernismo enfraquece a partir
dos anos 40, quando a abstração chega com mais
força ao país. Seu final acontece nos anos 50
com a criação das bienais, que promovem a internacionalização
da arte do país.
- Expressionismo
Movimento artístico que
se caracteriza pela expressão de intensas emoções.
As obras não têm preocupação com
o padrão de beleza tradicional e exibem enfoque pessimista
da vida, marcado por angústia, dor, inadequação
do artista diante da realidade e, muitas vezes, necessidade
de denunciar problemas sociais.
Iniciado no fim do século
XIX por artistas plásticos da Alemanha, alcança
seu auge entre 1910 e 1920 e expande-se para a literatura, a
música, o teatro e o cinema. Em função
da I Guerra Mundial e das limitações impostas
pela língua alemã, tem maior expressão
entre os povos germânico, eslavo e nórdico. Na
França, porém, manifesta-se no fauvismo. Após
o fim da guerra, influencia a arte em outras partes do mundo.
Muitos artistas estão ligados a grupos políticos
de esquerda.
Assim como a Revolução
Russa (1917), as teorias psicanalíticas do austríaco
Sigmund Freud, a evolução da ciência e a
filosofia do alemão Friedrich Nietzsche o expressionismo
está inserido no ambiente conturbado que marca a virada
do século.
ARTES PLÁSTICAS –O principal precursor do movimento
é o pintor holandês Vincent van Gogh, criador de
obras de pinceladas marcadas, cores fortes, traços expressivos,
formas contorcidas e dramáticas. Em 1911, numa referência
de um crítico à sua obra, o movimento ganha o
nome de expressionismo.
As obras propõem uma
ruptura com as academias de arte e o impressionismo. É
uma forma de "recriar" o mundo em vez de apenas captá-lo
ou moldá-lo segundo as leis da arte tradicional. As principais
características são distanciamento da pintura
acadêmica, ruptura com a ilusão de tridimensionalidade,
resgate das artes primitivas e uso arbitrário de cores
fortes. Muitas obras possuem textura áspera devido à
grande quantidade de tinta nas telas. É comum o retrato
de seres humanos solitários e sofredores. Com a intenção
de captar estados mentais, vários quadros exibem personagens
deformados, como o ser humano desesperado sobre uma ponte que
se vê em O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944),
um dos expoentes do movimento.
Grupos expressionistas –O
expressionismo vive seu auge a partir da fundação
de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte),
em Dresden, que faz sua primeira exposição em
1905 e dura até 1913; e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro
Azul), em Munique, ativo de 1911 a 1914. Os artistas do primeiro
grupo, como os alemães Ernst Kirchner (1880-1938) e Emil
Nolde (1867-1956), são mais agressivos e politizados.
Com cores quentes, produzem cenas místicas e paisagens
de atmosfera pesada. Os do segundo grupo, entre eles o russo
Vassíli Kandínski (1866-1944), o alemão
August Macke (1887-1914) e o suíço Paul Klee (1879-1940),
voltam-se para a espiritualidade. Influenciados pelo cubismo
e futurismo, deixam as formas figurativas e caminham para a
abstração.
- Impressionismo
Movimento das artes plásticas
que se desenvolve na pintura entre 1870 e 1880, na França,
no fim do século, e influencia a música. É
o marco da arte moderna porque é o início do caminho
rumo à abstração. Embora mantenha temas
do realismo, não se propõe a fazer denúncia
social. Retrata paisagens urbanas e suburbanas, como o naturalismo.
A diferença está na abordagem estética:
os impressionistas parecem apreender o instante em que a ação
está acontecendo, criando novas maneiras de captar a
luz e as cores. Nessa tendência a mostrar situações
naturais há influência da fotografia, nascida em
1827.
A primeira exposição
pública impressionista é realizada em 1874, em
Paris. Entre os expositores está Claude Monet, autor
de Impressão: o Nascer do Sol (1872), tela que dá
nome ao movimento. Outros expoentes são os franceses
Édouard Manet (1832-1883), Auguste Renoir (1841-1919),
Alfred Sisley (1839-1899), Edgar Degas (1834-1917) e Camille
Pissarro (1830-1903). Para inovar a forma de pintar a luminosidade
e as cores, os artistas dão enorme importância
à luz natural. Nos quadros são comuns cenas passadas
à beira do rio Sena em jardins, cafés, teatros
e festas. O que está pintado é um instante de
algo em permanente mutação.
Com a dispersão do grupo,
alguns artistas tentam superar as propostas básicas do
movimento, desenvolvendo diferentes tendências, agrupadas
sob o nome de pós-impressionismo. Nessa linha estão
os franceses Paul Cézanne e Paul Gauguin (1848-1903),
o holandês Vincent van Gogh e os neo-impressionistas,
como os franceses Georges Seurat (1859-1891) e Paul Signac (1863-1935).
Pós-impressionismo –Influenciados pelos conhecimentos
científicos sobre a refração da luz, os
neo-impressionistas criam o pontilhismo ou divisionismo. Os
tons são divididos em semitons e lançados na tela
em pequeninos pontos visíveis de perto, que se fundem
na visão do espectador de acordo com a distância
em que se coloca. A preocupação em captar um instante
dá lugar ao interesse pela fixação das
cenas obtida pela subdivisão das cores. Como resultado,
elas tendem a exibir um caráter estático. Um exemplo
é Uma Tarde de Domingo na Ilha da Grande-Jatte, de Seurat.
Embora inicialmente ligado ao
impressionismo, Cézanne desenvolve uma pintura que será
precursora do cubismo. Van Gogh alia-se ao expressionismo, enquanto
Gauguin dá ao impressionismo uma dimensão simbólica
que influencia o simbolismo e o expressionismo.
IMPRESSIONISMO NO BRASIL –Nas
artes plásticas há tendências impressionistas
em algumas obras de Eliseu Visconti (1866-1944), Georgina de
Albuquerque (1885-1962) e Lucílio de Albuquerque (1877-1939).
Uma das telas de Visconti em que é evidente essa influência
é Esperança (Carrinho de Criança), de 1916.
Características pós-impressionistas estão
em obras de Eliseu Visconti, João Timóteo da Costa
(1879-1930) e nas primeiras telas de Anita Malfatti, como O
Farol (1915).
O impressionismo funciona como
base da música nacionalista, como a que é desenvolvida
no Brasil por Heitor Villa-Lobos.
- Naturalismo
Tendência das artes plásticas,
da literatura e do teatro surgida na França na segunda
metade do século XIX. Manifesta-se também em outros
países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. Baseia-se
na filosofia de que só as leis da natureza são
válidas para explicar o mundo e de que o homem está
sujeito a um inevitável condicionamento biológico
e social. As obras retratam a realidade de forma ainda mais
objetiva e fiel do que no realismo. Por isso, o naturalismo
é considerado uma radicalização desse movimento.
Nas artes plásticas não
tem o engajamento ideológico do realismo, mas na literatura
e no teatro mantém a preocupação com os
problemas sociais.
Nas artes plásticas a
pintura dedica-se a retratar fielmente paisagens urbanas e suburbanas,
nas quais os personagens são pessoas comuns. O artista
pinta o mundo como o vê, sem as idealizações
e distorções feitas pelo realismo para expor posições
ideológicas. As obras competem com a fotografia.
NATURALISMO NO BRASIL –No
país, a tendência manifesta-se nas artes plásticas
e na literatura. Não há produção
de textos para teatro, que se limita a encenar peças
francesas.
Outras obras classificadas como naturalistas são O Ateneu,
de Raul Pompéia (1863-1895), e A Carne, de Júlio
Ribeiro (1845-1890). A tendência está na base do
regionalismo, que, nascido no romantismo, se consolida na literatura
brasileira no fim do século XIX e existe até hoje.
- Realismo
Movimento artístico que
se manifesta na segunda metade do século XIX. Caracteriza-se
pela intenção de uma abordagem objetiva da realidade
e pelo interesse por temas sociais. O engajamento ideológico
faz com que muitas vezes a forma e as situações
descritas sejam exageradas para reforçar a denúncia
social. O realismo representa uma reação ao subjetivismo
do romantismo. Sua radicalização rumo à
objetividade sem conteúdo ideológico leva ao naturalismo.
Muitas vezes realismo e naturalismo se confundem.
Nas artes plásticas a
tendência expressa-se sobretudo na pintura. As obras privilegiam
cenas cotidianas de grupos sociais menos favorecidos. O tipo
de composição e o uso das cores criam telas pesadas
e tristes. O grande expoente é o francês Gustave
Courbet (1819-1877). Para ele, a beleza está na verdade.
Suas pinturas chocam o público e a crítica, habituados
à fantasia romântica.
REALISMO NO BRASIL – No
Brasil, o realismo marca mais intensamente a literatura e o
teatro.
Artes plásticas –Entre os artistas brasileiros,
tem maior expressão o realismo burguês, nascido
na França. Em vez de trabalhadores, o que se vê
nas telas é o cotidiano da burguesia. Dos seguidores
dessa linha se destacam Belmiro de Almeida (1858-1935), autor
de Arrufos, que retrata a discussão de um casal, e Almeida
Júnior (1850-1899), autor de O Descanso do Modelo. Mais
tarde, Almeida Júnior aproxima-se de um realismo mais
comprometido com as classes populares, como em Caipira Picando
Fumo.
- Romantismo
Tendência que se manifesta
nas artes e na literatura do final do século XVIII até
o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra
e na Itália, mas é na França que ganha
força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas.
Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo.
Caracteriza-se por defender a liberdade de criação
e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo,
o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza,
os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada
pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também
está impregnada de ideais de liberdade da Revolução
Francesa (1789).
Nas artes plásticas o
romantismo chega à pintura no início do século
XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya
(1746-1828). Na França destaca-se Eugène Delacroix
(1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra,
o interesse pelos fenômenos da natureza em reação
à urbanização e à Revolução
Industrial é visto como um traço romântico
de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo
na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens
de Caspar David Friedrich (1774-1840).
ROMANTISMO NO BRASIL –O
romantismo surge em 1830, influenciado pela independência,
em 1822. Desenvolve uma linguagem própria e aborda temas
ligados à natureza e às questões político-sociais.
Defende a liberdade de criação e privilegia a
emoção. As obras valorizam o individualismo, o
sofrimento amoroso, a religiosidade, a natureza, os temas nacionais,
as questões político-sociais e o passado.
Artes plásticas –Os
artistas dedicam-se a pinturas históricas, que enaltecem
o Império e o nacionalismo oficial.
A primeira (1836-1840) privilegia o misticismo, a religiosidade,
o nacionalismo e a natureza. Na segunda (1840-1850) predominam
a descrição da natureza, a idealização
do índio e o romance de costumes.
Na terceira (1850-1860), o nacionalismo intensifica-se e preponderam
o individualismo, a subjetividade e a desilusão.
Na última fase (1860-1880),
época de transição para o realismo e o
parnasianismo, prevalece o caráter social e liberal ligado
à abolição da escravatura
- Simbolismo
Movimento que se desenvolve
nas artes plásticas, na literatura e no teatro no fim
do século XIX. Surgido na França, depois se espalha
pela Europa e chega ao Brasil.
Caracteriza-se por subjetivismo,
individualismo e misticismo. Rejeita a abordagem da realidade
e a valorização do social feitas pelo realismo
e pelo naturalismo. Palavras e personagens possuem significados
simbólicos.
O poeta francês Charles
Baudelaire é considerado precursor do simbolismo por
sua obra As Flores do Mal, de 1857. Mas só em 1881 a
nova manifestação é rotulada, com o nome
decadentismo, substituído por simbolismo em manifesto
publicado em 1886.
Artes plásticas –Para
os simbolistas a arte deve ser uma síntese entre a percepção
dos sentidos e a reflexão intelectual. Buscam revelar
o outro lado da mera aparência do real. Em muitas obras
enfatizam a pureza e a espiritualidade dos personagens. Em outras,
a perversão e a maldade do mundo. A atração
pela ingenuidade faz com que vários artistas se interessem
pelo primitivismo.
SIMBOLISMO NO BRASIL –Nas
artes plásticas, o movimento influencia parte das pinturas
de Eliseo Visconti e Lucílio de Albuquerque (1877-1939).
É muito marcante nas obras de caráter onírico
de Alvim Correa (1876-1910) e Helios Seelinger (1878-1965).
Tropicalismo
Movimento cultural do fim da
década de 60 que, usando deboche, irreverência
e improvisação, revoluciona a música popular
brasileira, até então dominada pela estética
da bossa nova. Liderado pelos músicos Caetano Veloso
e Gilberto Gil, o tropicalismo usa as idéias do Manifesto
Antropofágico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos
estrangeiros que entram no país e, por meio de sua fusão
com a cultura brasileira, criar um novo produto artístico.
Também se baseia na contracultura, usando valores diferentes
dos aceitos pela cultura dominante, incluindo referências
consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.
O movimento é lançado
com a apresentação das músicas Alegria,
Alegria, de Caetano, e Domingo no Parque, de Gil, no Festival
de MPB da TV Record em 1967. Acompanhadas por guitarras elétricas,
as canções causam polêmica em uma classe
média universitária nacionalista, contrária
às influências estrangeiras nas artes brasileiras.
O disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968), manifesto
do movimento, vai da estética brega do tango-dramalhão
Coração Materno, de Vicente Celestino (1894-1968),
à influência dos Beatles e do rock em Panis et
Circensis, cantada por Os Mutantes. O refinamento da bossa nova
está presente nos arranjos de Rogério Duprat (1932-),
nos vocais de Caetano e na presença de Nara Leão
(1942-1989).
O tropicalismo manifesta-se,
ainda, em outras artes, como na escultura Tropicália
(1965), do artista plástico Hélio Oiticica, e
na encenação da peça O Rei da Vela (1967),
do diretor José Celso Martinez Corrêa (1937-).
O movimento acaba com a decretação do Ato Institucional
nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil são
presos e, depois, exilam-se na Inglaterra.
Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, são
lançados dois livros que contam a história do
movimento: Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropicália
- A História de uma Revolução Musical,
do jornalista Carlos Calado.
- Cubismo
Movimento das artes plásticas,
sobretudo da pintura, que a partir do início do século
XX rompe com a perspectiva adotada pela arte ocidental desde
o Renascimento. De todos os movimentos deste século,
é o que tem influência mais ampla.
Ao pintar, os artistas achatam
os objetos, e com isso eliminam a ilusão de tridimensionalidade.
Mostram, porém, várias faces da figura ao mesmo
tempo. Retratam formas geométricas, como cubos e cilindros,
que fazem parte da estrutura de figuras humanas e de outros
objetos que pintam.
Por isso o movimento ganha ironicamente
o nome de cubismo. As cores em geral se limitam a preto, cinza,
marrom e ocre.
O cubismo manifesta-se ainda
na arquitetura, especialmente na obra de Corbusier, e na escultura.